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BARTITSU – A Arte de Combate com Bengala

BARTITSU

– A Arte de Combate com Bengala –

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Da História

Os sistemas europeus de combate com “pau” ou bordão incluem uma grande variedade de métodos que foram descritos em numerosos manuscritos de diversos autores.
Muitos destes métodos desapareceram mas outros adaptaram-se e sobreviveram quer folclóricos ou como desporto, tendo como exemplos,“O Jogo do Pau” em Portugal, “O Juego del Palo” nas ilhas Canárias, “Le jeu de La Canne”em França,“La Scherma di Bastone” em Itália.

Em 1854 Giuseppe Cerri editao “Trattato teórico e pratico della scherma di bastone” e é influenciado por mestres da escola italiana de esgrima comoAchille Marozzo e Francesco Alfieri.

O sistema francês de “la Canne” ainda é praticado como um desporto.
A adaptação de autodefesa de “la Canne”, desenvolvido pelo suíço mestre de armas Pierre Vigny no início de 1900, foi revivida como parte do currículo de Bartitsu.

A arte de esgrimir com um “bordão” era conhecida e praticada pelos egípcios conforme se pode ver nas seguintes imagens:

image002image003Edward William Barton-Wright nasceu em 1860 e foi educado na França e na Alemanha. Engenheiro dos caminhos-de-ferro, trabalhou em países como Egipto, Portugal, Malásia e Singapura.

Em 1898, Edward William Barton-Wright, após ter passado três anos no Japão, retornou a Inglaterra e anunciou a formação de uma “nova arte de defesa”. Esta arte procurava combinar os melhores elementos de uma variedade de estilos de luta. Assim nasceu o “Bartitsu”.

Em Portugal, além das tradições folclóricas recriadas pelos “Pauliteiros de Miranda” denominada “lhaços” que são o eco das tradições militares dos povos greco-romanos, o “Jogo do Pau” continua hoje em dia representado pelo Mestre Nuno Russo da Esgrima Lusitana e tem as suas raízes nos textos do “Memorial da Prattica do Montante” de Diogo Gomes de Figueyredo escrito e impresso a 10 de Maio de 1651.

A Academia de Esgrima Histórica estuda e interpreta o “ Tratado das lições da espada preta, e destreza, que hão-de usar os jogadores della” por Thomas Luís – 1685.

O pau é a defesa do homem” é um ditado que atravessa a história de Portugal e desde tempos imemoriais que as histórias das feiras varridas a varapau são o prato forte das conversas de soalheiro. A literatura portuguesa referente ao Jogo do Pau é rica e abordada por ilustres escritores, com páginas de cortar a respiração deixo aqui apenas três exemplos dos muitos que poderão ser encontrados em “http://jogodopau.tumblr.com/Literatura”.

A Morgadinha de Val-d’Amores” – Camilo Castelo Branco (1871)

Terras do Demo”- Aquilino Ribeiro (1919)

O Terceiro Dia da Criação do Mundo”- Miguel Torga (1952)

Outra referencia literária ao Bartitsu será a tecnica descrita por Sir Arthur Conan Doyle como utilizado por Sherlock Holmes em “The Adventure of the Empty House” (1901)

 

O que é necessário para praticar “BARTITSU”?

Sapatilhas, Calças de treino, Camisola branca de mangas compridas, Luvas e Bengala.

 

Que Bengala?

A Academia de Esgrima Histórica usa exclusivamente a BENGALA DE LÓDÃO das terras de Baião, pela sua qualidade e resistência.Aqui poderá utilizar dois modelos:

1 – Decorado que serve para treino e prática de recriação histórica.

image0042 – Liso para utilização em treino e prática de sala de armas.

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Onde poderá praticar A Arte de Combate com Bengala?

Nas salas de armas de Academia de Esgrima Histórica:

Lisboa – Sintra – Loures – Setúbal – Leiria – Tomar.

 

O Bartitsu é igual ao jogo do Pau?

Não, não é.

O Bartitsu ou o combate com bengala utiliza técnicas diferentes por ser derivado de um misto de artes marciais, sendo mais ligado àdefesa pessoal utilizando técnicas originadas pelos conceitos de savate, boxe e judo.

 

Quem pode praticar Bartitsu?

Todas as pessoas dos 14 aos 70 anos de idade.

A Bengala é de fácil utilização e pode ser praticada indiferentementedo sexo ou do peso, pois tem a ver com a técnica de utilização e não com a força.

Quanto às senhoras, leiam este artigo… http://en.wikipedia.org/wiki/Edith_Margaret_Garrud.

Contactem para informações.Tl.919158310 /211966017 – esgrima@academiaeh.pt

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Conceitos Básicos: “Fiore di Battaglia”, de Fiore dei Liberi

Na continuação da apresentação de aulas “especiais” esta sem dúvida é uma daquelas que deverão estar presentes na evolução do esgrimista histórico.

A Esgrima Histórica consiste na reconstituição de técnicas de esgrima com diferentes tipos de armas, sempre baseadas em documentação precisa e descrita como fiável quer na interpretação das técnicas quer no estudo das armas .

A linha de estudo seguida pela Sala de Armas Fiore dei Liberi da Academia de Esgrima Histórica  é a do mestre italiano , Sir Fiore Furlano de Civida d’Austria delli Liberi da Premariacco,  do seu tratado conhecido como  ;

Fiore di Battaglia ou Flos Duellatorum.

Na actualidade são conhecidas quatro versões do tratado:

1) “Pisani-Dossi”– datado de 1409 (1410 pelo calendário moderno). Texto editado em 1902 por Francesco Novati.

2) “Getty” – MS Ludwig XV 13. Está  no museu de J.P.Getty em Los Angeles (83.MR.183 (LUDWIG doms XV 13).

3) “Morgan” – MS M.383. FiordiBattaglia está na biblioteca de Pierpont Morgan em New York.

4) “Florius”–  MSS 11269, é um documento do sec. XVII descoberto na Biblioteca Nacional de França em princípios de 2008, parece ter sido feito após os acima mencionados, são 44 fólios com 2 páginas cada totalmente escritos em Latim.

História

Sir Fiore Furlano de Civida d’Austria delli Liberi da Premariacco (1350-1420) era filho de Sir Benedetto delli Liberi de Premariacco, um membro da pequena nobreza italiana cujas  propriedades estavam localizadas em  “Premariacco”, uma pequena cidade na região de Friuli (nordeste de Itália). Tendo demonstrado desde cedo uma pronunciada inclinação para as artes de guerra foi aluno de Master Giovanni, chamado de Suveno e de Master Nicholai of Toblem, da casa de  Metz. Francesco Novati (Francesco Novati (Cremona, 1859 – Sanremo, 1915))  e em particular Zanutto declaram que em 1390-1400 Fiore dei Liberi esteve ao serviço de Niccolo III d’Este o Marquês de Ferrara, Senhor de Palma, Reggio etc., chefe de uma das mais famosas e prestigiadas famílias da Itália do seu tempo (inimigos da família Visconti que então governava Milão).

Fiore dei Liberi influenciou e ensinou artes marciais a personagens históricas que, a seu tempo, influenciaram os destinos da Europa.

Como adversários teve personagens como Sir John Hawkwood imortalizado no livro de Sir Conan Doyle como o comandante da White Company, e  Jeanle Maingre conhecido como Boucicault, o Marshal de França que comandou a vanguarda francesa na batalha de Azincourt.

O texto cobre : Luta livre – Defesa Pessoal – Adaga – Espada singela – Espada de mão e meia – Armas de haste – Justa a cavalo.

O simples mencionar do titulo “artes marciais” imediatamente levam o nosso imaginário para as artes marciais orientais devido aos seus princípios de filosofia, o que pensar então desta imagem?

 Filosofia Fiori
 -Lince, Compasso – Prudência.

-Elefante, Castelo – Força.

-Tigre, Flecha – Velocidade.

-Leão, Coração – Audácia.

O que nos leva aos 7 requisitos das artes marciais de acordo com Fiore dei Liberi.

  1. Força.
  2. Velocidade.
  3. Saber atacar .
  4. Saber imobilizar.
  5. Saber fazer chaves.
  6. Saber deslocar e partir.
  7. Saber projectar.

Eis a altura de passar á prática, meus senhores em guarda…

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Conceitos básicos: “Tratado das Liçoens da espada preta”, de Thomas Luis

Para a correta apreciação da esgrima histórica o binómio desporto/cultura é fundamental compreender que: Pesquisa, trabalho em sala de armas e sobretudo informação correta, é o ponto fulcral da esgrima histórica.

Instrutores e alunos sabem que existem aulas especiais que, pela sua natureza, sintetizam o trabalho físico e intelectual. Têm impacto decisivo quer na evolução do atleta quer do recriador. Sim “recriador” porque a esgrima histórica permite essa separação, o desporto e a cultura.

A aula de 26 de Outubro, na Sala de Armas do Museu, é uma dessas aulas e teve como base o texto “Tratado das Liçoens da espada preta”, de Thomas Luis.

Obviamente que nestas páginas apenas cabem duas dimensões, o movimento só pode ser apreendido na sala de armas, é essa a razão da sua existência, a aprendizagem intelectual complementada pelo exercício físico.

A esgrima é desporto e arte e tem o seu princípio no ser humano.

Eis o resumo da aula:

Compasso – Movimento que permite o posicionamento do tempo dos pés quer em ataque quer em defesa

 Compasso

Guardas – Corpo – Posicionamento que permite o tempo do corpo quer em defesa quer em ataque.

Guarda Portuguesa

As diferenças entre guardas da esgrima portuguesa, italiana, francesa e espanhola do século XVII.

Foi realizado uma apresentação desenvolvida sobre o tema com aplicação das várias posições.

Guardas -Mão- Posicionamento que permite o tempo da mão e da espada quer no ataque quer na defesa.

Prima Prima Polegar abaixo

Seconda Seconda Polegar adentro

Terza Terza Polegar acima

Quarta Quarta Polegar afora

 

Golpes- Posicionamento que permite o tempo da mão e da espada em ataque.

GolpesQuestões e considerações poderão ser remetidas para: esgrima@academiaeh.pt

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